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07/01/2018

Os de Bonés

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Eles estão em todos os lugares. Independente do tamanho da cidade, o perfil e o comportamento é praticamente o mesmo. Andam em bando, agrupados pelos mesmos interesses, a mesma linguagem e a vestimenta é quase como um uniforme. Tênis coloridos, bermudões, camisetas estampadas, corrente no pescoço, óculos escuros, tatuados e bonés, muitos com símbolos de times do basquete americano.

São jovens cheios de energia, com capacidades inexploradas, com potencial criativo e em busca de algo que preencha as infindáveis horas ociosas. Não raro essas horas são recheadas daquela fumaça oriunda da maldita erva que circula livremente entre eles.

Quando vejo esses grupos pelas esquinas a fora, pelas praças, muitas, aliás, mal cuidadas, ou nos arrabaldes Brasil a fora, o sentimento é um misto de raiva, dó e desesperança. Não sei o que daria a mistura disso. Essa sensação incomoda , angustia e provoca ojeriza pela hipocrisia praticada por quem se diz representante do povo.

Somos pilhados diariamente no bolso e na esperança e quando vemos o descaso, o desinteresse e a covardia praticada contra quem deveria ter todo o abrigo de uma educação estruturada e decente não pra fingir que não se vê.

É tão claro que , com um pouco de incentivo, essa galera toda poderia, ao invés de andar por aí sem rumo definido, estar mais tempo numa boa escola, curtindo outro tipo de aprendizado, se preparando para assumir responsabilidades e postos estratégicos de uma nação carente da dedicação de seus filhos.

O problema é que um governo que tira quase dois bilhões da educação para financiar campanha de políticos que há muito perderam o caráter e a dignidade e, pior que isso, não querem largar o osso, fica muito difícil imaginar que os jovens de bonés trocarão as praças e as esquinas pelos bancos da escola.

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