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24/11/2017

Eraci Rocha, mais uma estrela no céu

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Quando eu ainda começava a aprender sobre Nativismo, uma das coisas que fazia era acompanhar os grandes festivais - que ainda eram poucos - através das rádios.
Principalmente a Califórnia da Canção de Uruguaiana, o maior, o mais famoso de todos na época.

Foi numa Califórnia, no inicio dos anos 80, que ouvi o Eraci Rocha pela primeira vez e me chamou atenção sua voz aveludada e forte interpretando a música “Das Salamancas”.

Ano seguinte, lá estava o Eraci na Tertúlia Nativista de Santa Maria, cantando “Tá Assim de Graxaim” e se tornando definitivamente um nome conhecido em todos os festivais do estado.

Foi em 1983, durante a 3ª Coxilha Nativista que o conheci pessoalmente, e pude ver de perto o grande cantor que era, e seu carisma impressionante.

Naquele ano ele tirou 2° Lugar com a canção “O Boco” e eu levei o prêmio de “Música Mais Popular”, então era indizível a alegria de estar dividindo o mesmo palco com ídolos que aprendi a admirar.

Eraci Rocha era um deles.

E aqui em Cruz Alta ele se consagrou, cantando uma das melhores músicas de todos os festivais, a bela “Vento Norte”, que acabou em 3° Lugar mas foi a mais tocada em todo o Estado e, no ano de 1986, finalmente, venceu a 6ª Coxilha Nativista, cantando “Vaga para o Vento”.

Mas para mim, a melhor de todas suas interpretações está na canção “Morada”, 3° lugar na quarta edição da Coxilha Nativista.

Eraci era, na verdade, um cantor romântico por excelência, mas sua voz suave dava um toque especial  em qualquer  música que interpretasse...e sagrou-se vencedor de muitos festivais, arrebatando vários prêmios de “Melhor Intérprete”.

Tive a oportunidade de ser jurado de um festival junto com o Eraci e, nesse convívio, além de ficarmos grandes amigos, tive o privilégio de conhecer um pouco mais do grande artista que era, figura humana excepcional, uma grande alma.

Eraci gravou discos, fêz shows, gravou seu nome na história da música do RGS.

O jornalista e critico de Zero Hora, Juarez Fonseca, escreveu certa vez: “A música nativa tem revelado muitos intérpretes, mas a maioria deles tem uma identificação formal quase que exclusiva com a própria música nativista. Quer dizer: não seriam grandes intérpretes fora dela. Não é o caso de Eraci Rocha”.

Artista comprometido com sua classe, foi presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore,  presidente da ordem dos músicos do Rio Grande do Sul e vice presidente da ordem dos Músicos Nacional.

Eraci Rocha, também foi o candidato a vereador mais votado na sua cidade natal, Taquari, no ano de 1996.

Pois, nesta quinta-feira, dia 23, uma noticia abalou o meio musical gaúcho com a morte desse grande artista.

Um dos mais conhecidos intérpretes do Rio Grande do Sul sucumbiu aos 69 anos, depois de “pelear” durante muito tempo contra a diabetes.

Sua voz suave não mais será ouvida nos palcos dos festivais, mas seu legado e seu carisma serão para sempre lembrados.

O grande Eraci Rocha, cantor de alma e sentimento, saiu do palco para virar estrela no céu.
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