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06/08/2017

Baita Show, Coxilha!..

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Isso mesmo, um “Baita Show”.

Foi o que deve ter dito o cantor e violeiro Almir Sater aos músicos da sua banda, ao ver o espetáculo que se transformou a final da Coxilha Nativista.

O cantor sertanejo e pantaneiro, famoso no Brasil inteiro por tocar magistralmente sua viola caipira, deve ter saído daqui com a melhor das impressões.

Seu show, na noite final do festival, esperado com ansiedade e expectativa, ficou pequeno diante da grandiosidade da 37ª Coxilha.

O carismático cantor não empolgou o público com suas guarânias chorosas, fêz um show básico e pouco inspirado, não justificando a tremenda demora para a montagem do palco.

Aliás, pela simplicidade que foi, poderia ter aproveitado a eficiente “Officina da Música”, responsável pela sonorização e sucesso do festival.

O público, que na finalíssima lotou as arquibancadas mais para ver Almir Sater do que as concorrentes, não teve paciência e sumiu da platéia antes mesmo do cantor executar seu maior sucesso, “Tocando em Frente”.

Mas,  apesar de “andar devagar, porque já teve pressa”, o show de Almir foi interessante, deu brilho ao evento e entrou para a história do festival.

Pois bem, voltando à Coxilha, a “Finalíssima” foi mesmo espetacular.

Apenas uma música não estava à altura do grande nível musical. As demais premiações, acredito terem agradado ao público, pois, ao contrário de outros anos, não houve contestações.

Mas, mérito inconteste mesmo, foi para a grande vencedora da Coxilha, a contundente obra ‘‘O PINGO DO CAPITÃO” .

Interpretada com garra de missioneiro pelo autor da melodia, Angelo Franco, a milonga ganhou ares épicos na excelente poesia de Rodrigo Bauer, premiada também como “Melhor Letra” do festival.

Sem dúvida, uma das melhores letras de todas as Coxilhas.

Vale a pena conhecê-la e viajar na narrativa poética do autor, que, inspirado na obra de Érico Veríssimo, criou essa maravilha de poema sobre Capitão Rodrigo e seu cavalo.

O evento, em geral, foi muito bem organizado e disso podem orgulhar-se todos que das Comissões fizeram parte.   

Houve, porém, detalhes importantes que podem ser melhorados e prudentemente evitados.

O público, a “galera”, este ano não correspondeu, pois mesmo sendo “de grátis” o ingresso, em nenhuma noite a arquibancada lotou. Os curiosos vieram mesmo na final, porque tinha show nacional com Almir Sater.

“De fé” mesmo, só o público das mesas. Mesmo pagando a exorbitância de R$ 600,00 por mesa, aqueles que realmente curtem o festival lotaram a quadra do ginásio todas as noites, muitas vezes sem o conforto necessário.

A comissão organizadora não poderia vender a “quinta cadeira”, quando mal cabem quatro cadeiras em cada mesa.

Os garçons também deveriam circular nos corredores apenas no intervalo das músicas, assim não atrapalhariam quem assiste o festival.

E exaustores poderiam amenizar o cheiro insuportável de fritura no ambiente do ginásio.

Pequenos ajustem só engrandecem a Coxilha e acredito que sugestões são bem-vindas. Até alguma crítica construtiva.

Só não vale é prejudicar esse grande evento.

Este ano a Coxilha deu exemplo de superação, ao denunciar públicamente e excluir – em tempo hábil - uma canção “não inédita” e contra o Regulamento.

Foi um deslize, e todos ficamos um pouco tristes em saber que o compositor é da terra.

Melhor não comentar.
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