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10/06/2017

Batendo Água

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Minha Nossa Senhora dos Navegantes, o que tem chovido!...
Agora imagino o que deve ter sido o Dilúvio.

Pobre do Noé e sua tripulação, que por 40 dias só viam água e chuva, chuva e água por todos os lados.

O ruim dessa chuvarada é a umidade, que traz inúmeros transtornos, e os alagamentos perigosos que se vê por ai.

Mas a falta de sol também faz seus estragos na ‘’psiquê’’ dos viventes, deixando todo mundo meio deprimidos, desestimulados, tristes.

O sol nos dá a vitamina D, que é importante para os ossos, e potencializa um hormônio esteróide que é essencial para o organismo, e também nos anima, alegra a vida e o ambiente.

Mas essa chuvarada...

Um amigo me disse que tempo assim só é bom prá tomar mate doce com bolinho frito.

Outro, que só presta prá cultivar agrião e criar rã.

Mas nem sapos e rãs a gente vê hoje em dia, por incrível que pareça. Antes, bastava uma chuvinha e aparecia sapos e pererecas a granel pelas ruas.

Pois, brabo mesmo, é a lida de quem vive prá fora.

Nas fazendas e granjas, dias de chuva é um estorvo danado, dizem a nossa gente campeira.

Os poetas e cantores do pago retratam isso.

Num trecho da música “Dia de Chuva”, o Walther Morais canta: ...“Barro o galpão faço bóia / E com solingem de aço / Vou lonquear um couro preto / E tirar uns tentos prá o laço”...Aproveito os dias de chuva / Para aumentar minha renda / Faço cinto e tranço corda / Que a indiada me encomenda”.

Mas, falando em chuva, a música mais famosa que se conhece por estes rincões é aquela do Marenco, ‘’BATENDO ÁGUA’’.

Começa assim: “Meu poncho emponcha lonjuras batendo água / E as águas que eu trago nele eram prá mim...”

Já escrevi sobre isso várias vezes, esta música se tornou um ‘’hit’’ campeiro, regravada pelo grande Luis Marenco, após apresentação na 17ª Coxilha Nativista, em 1997.

Na ocasião, nossa obra ”Surungo de Chão Batido” foi a ‘’Música Mais Popular”, porém comentei em várias rádios que era uma pena “Batendo Água” não estar entre as premiadas, tão boa que era.

Apenas foi prá final, figurando como a última música do CD do festival.

Pois, o destino se encarregou de transformá-la numa das músicas mais tocadas e regravadas no RGS, a exemplo de tantas outras que saíram dos palcos dos eventos Nativistas do estado.

Este ano, merecidamente, “Batendo Água” será homenageada em show especial pelos 20 anos de sua criação.

Um grande momento, e justa homenagem a seus autores, Gujo Teixeira e Luis Marenco, que tanto tem contribuído para a cultura musical da nossa terra.

A 37ª Coxilha Nativista promete!
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